Super-herói ausente!
E quantas vezes eu cai e o senhor me levantou? Quantas vezes quando eu não sabia a direção o senhor pegou na minha mão e caminhou ao meu? Procuro no passado obscuro da minha infância a mínima presença de um herói me ensinando que o mal não compensa, busquei nas minha memórias conturbadas, cinzas, solitárias, chuvosas o dia em que recebi um carinho teu.
O primeiro dia de vida, o primeiro passo, a primeira palavra, o primeiro dia de aula, o primeiro amor, o primeiro sexo, a primeira desilusão, o primeiro trabalho, momentos em que eu precisava do meu super herói o senhor não estava lá, talvez estivesse ocupado combatendo algum vilão, talvez sendo o super heróis de uma criança mais carente de carinho que eu, participando dos primeiros momentos de outro, ensinando outro a jogar bola, dando seu obro para outro, sendo o super herói de outro.
Mas a vida é implacável, aprendi a andar, aprendi a falar e poxa, falo muito bem, não aprendi bem a amar, acho que ninguém sabe na verdade, mas continuo tentando, aprendi a me prevenir, aprendi o quanto a gente sofre por amar, já me tornei um ótimo e experiente profissional, já tive inúmero momentos e aprendi tudo sozinho.
Apesar dos apesares todos, apesar de toda a ausência, toda a solidão, aquele encaixe para o qual só existe uma única peça no mundo que seja compatível, eu não consigo deixar de querer tudo aquilo novamente, mas de uma maneira diferente, se Deus me desse uma chance de viver outra vez, eu só queria que tivesse você. Foi muito chato crescer sem você!
Como canta o grande Padre Zezinho:
E há tantos filhos
Que bem mais do que um palácio
Gostariam de um abraço
E do carinho entre seus pais
Se os pais amassem
O divórcio não viria
Chamam a isso de utopia
Eu a isso chamo paz
Aaah! Se por um acaso o senhor estiver de folga, poderia voar até aqui?
Homenagem aos Dia dos Pais. (Para quem tem.)

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